A saúde mental no ambiente de trabalho ganhou, nos últimos anos, destaque em nível mundial. Estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização Internacional do Trabalho (OIT) mostram que 12 bilhões de dias de trabalho são perdidos anualmente por conta de ansiedade e depressão, gerando um impacto de quase 1 trilhão de dólares na economia global.

No Brasil, os números também impressionam: em 2022, transtornos ansiosos, episódios depressivos e reações ao estresse figuraram entre as principais causas de adoecimento ocupacional. Esse cenário reforça a urgência de tratar os fatores psicossociais como riscos reais e estratégicos para a gestão de pessoas.

O que mudou na NR-1?

Com a publicação da Portaria MTE nº 1.419/2024, em vigor a partir de maio de 2025, a NR-1 passou a incluir expressamente os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO).

Na prática, isso significa que toda empresa precisa:

  • Mapear e avaliar riscos psicossociais, como sobrecarga de trabalho, assédio, baixa clareza de papéis, falta de reconhecimento ou apoio;
  • Integrar esses fatores ao inventário de riscos ocupacionais;

Implementar medidas de prevenção e acompanhamento, em alinhamento com a NR-17 (Ergonomia).

Por que isso é importante para sua empresa?

Além de uma exigência legal, investir na gestão de riscos psicossociais é uma forma de cuidar da saúde mental e física dos trabalhadores, reduzir afastamentos e aumentar a produtividade.

Riscos como assédio moral, má gestão de mudanças ou excesso de demandas impactam diretamente no clima organizacional, na motivação e no desempenho das equipes. Empresas que não se adaptarem às novas diretrizes podem enfrentar não apenas penalidades legais, mas também prejuízos humanos e financeiros.

Como implementar na prática?

O processo deve envolver diferentes etapas:

  1. Preparação – levantar informações sobre processos, setores e histórico de saúde dos trabalhadores;
  2. Identificação dos perigos – mapear fatores psicossociais presentes nas rotinas de trabalho;
  3. Avaliação de riscos – analisar a gravidade e probabilidade de impacto na saúde dos colaboradores;
  4. Controle e acompanhamento – adotar medidas preventivas, como pausas regulares, reorganização de demandas, capacitação de equipes e fortalecimento do suporte organizacional;
  5. Documentação – registrar todo o processo no PGR ou na AEP, conforme prevê a norma.

O papel estratégico do RH

O setor de Recursos Humanos tem papel fundamental nesse processo. Mais do que cumprir a legislação, cabe ao RH construir políticas de saúde ocupacional que promovam bem-estar, engajamento e produtividade sustentável. Isso exige diálogo com gestores, trabalhadores e especialistas de Segurança e Saúde no Trabalho, além da implementação de práticas de comunicação transparente e participativa.

Conclusão

A atualização da NR-1 é um marco para a valorização da saúde mental no ambiente corporativo. Trata-se de uma oportunidade para as empresas revisarem suas práticas de gestão, criarem ambientes mais saudáveis e fortalecerem seu capital humano.

Na RMG Recursos Humanos, apoiamos organizações nesse processo, oferecendo consultoria em compliance trabalhista, gestão de SST e programas de promoção de saúde e bem-estar.

Afinal, investir no cuidado com as pessoas é investir no futuro do negócio.